'Hoje é o dia da libertação', diz Trump ao anunciar 'tarifas recíprocas' de 10% a produtos importados do Brasil
A taxa aplicada para o Brasil será uma das menores. Presidente confirmou taxação de 25? todos os carros fabricados fora dos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou hoje que vai impor 25% de tarifas a todos os automóveis fabricados fora dos EUA a partir de meia-noite. E ele já havia mencionado essa medida na semana passada e a confirmou hoje.
Em seguida, também cumpriu a promessa de anunciar "tarifas recíprocas" de ao menos 10% para produtos estrangeiros importados pelos americanos. O Brasil é um dos países que terá seus produtos taxados nos EUA em 10%, o percentual mais baixo do pacote. O caráter linear das tarifas foi adiantado ontem pela colunista do GLOBO Míriam Leitão.
A Casa Branca informou que novas tarifas entram em vigor em 5 e 9 de abril. Em um discurso de quase uma hora nos jardins da Casa Branca no fim da tarde de hoje, Trump repetiu várias vezes que "hoje é o Dia da Libertação".
O governo dos EUA vai aplicar 10% de tarifas para produtos de países como Brasil, Cingapura e Reino Unido. Outros países, como China, Vietnã, Camboja e Taiwan, terão seus itens taxados em mais de 30%. Não houve mudança no caso de Canadá e México, vizinhos dos EUA com quem integram uma zona de livre comércio, que já tiveram seus produtos vendidos aos EUA taxados em 25% no mês passado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/g/O/wAcMr9SVCfh2y2bByCrA/110574636-us-president-donald-trump-holds-a-chart-as-he-delivers-remarks-on-reciprocal-tariffs-a.jpg)
Também estão no grupo de países taxados em 10% outros latino-americanos como: Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Costa Rica, República Dominicana, Equador, Guatemala, Honduras e El Salvador. A Nicaragua, governada pelo opositor de Trump Daniel Ortega, sofrerá taxação de 18% sobre todos os seus produtos enviados aos EUA.
Para a China, por exemplo, a tarifa será de 34%. Camboja tem uma das maiores taxas: 49%. O Japão e a Índia, aliados geopolíticos e econômicos dos EUA, terão seus produtos tarifados em 24% e 26%, respectivamente.
Veja algumas taxas aplicadas pelos EUAs a produtos de diferentes origens:
- União Europeia: 20%
- Vietnã: 46%
- Camboja: 49%
- China: 34%
- Taiwan: 32%
- Japão: 24%
- África do Sul: 30%
- Índia: 26%
- Coreia do Sul: 25%
- Tailândia: 36%
- Suíça: 31%
- Indonésia: 32%
- Brasil: 10%
- Reino Unido: 10%
— Vou assinar uma ordem executiva histórica instituindo tarifas recíprocas a países de todo o mundo. Uma reciprocidade que significa: se eles fazem conosco, vamos fazer com eles — disse Trump na Casa Branca. — Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história dos Estados Unidos.
O republicano afirmou que os EUA são tratados de forma injusta no comércio mundial há mais de 50 anos com tarifas sobre produtos americanos e barreiras não tarifárias e que "isso não vai mais acontecer". Além disso, ele se queixou de que vários países subsidiam suas exportações.
— Hoje é o dia da independência econômica dos EUA.
— Em alguns momentos vou assinar uma ordem executiva determinando tarifas recíprocas para outros países. Recíprocas no sentido de " que eles fazem para nós, nós fazemos para eles” - disse Trump, sem especificar ainda as medidas.
Trump alegou que uma maior produção interna vai representar uma inflação menor para os americanos, apesar de vários especialistas alertarem que as tarifas devem fazer justamente o contrário, encarecer os preços domésticos nos EUA.
O presidente americano disse que as medidas vão incluir tarifas “não-monetárias”. Trump alegou que os parceiros comerciais manipulam seus câmbios e adotam restrições referentes a exigências ambientais e à propriedade intelectual que punem as empresas americanas.
Trump exibiu uma tabela com exemplos de altas tarifas cobradas por vários países sobre produtos americanos que ingressam em suas economias.
— Eu não os culpo por fazerem isso, na verdade estão sendo bastante inteligentes. Eu culpo que esteve antes bem aqui, no Salão Oval, dizendo que isso está tudo bem.
O presidente afirmou que “em 1929, tudo chegou a um fim muito abrupto com uma Grande Depressão, e isso nunca teria acontecido se eles tivessem continuado com a política tarifária”. Foi uma referência às críticas de vários economistas de que a política protecionista de Trump repete os erros do governo americano nos anos 1930, agravando a crise com tarifaço.
Trump indicou estar consciente de que os países atingidos vão retaliar. E manifestou apoio aos agricultores, parte de sua base eleitoral. Esse é um grupo que pode ser o primeiro a sentir os efeitos das tarifas retaliatórias de outros países, uma vez que essas nações prometem taxar os grãos e outras commodities dos EUA. Mesmo assim, ele sustenta que suas medidas são boas para o agronegócio americano:
— Com as ações de hoje, também estamos defendendo nossos grandes agricultores e pecuaristas que são brutalizados por nações em todo o mundo.
Fonte: Globo.com